sábado, 21 de abril de 2012

MOISÉS FALA COM DEUS NO MONTE SINAI

CAPÍTULO 4
MOISÉS FALA COM DEUS NO MONTE SINAI E ENTREGA AO POVO OS DEZ
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MANDAMENTOS, DITADOS POR ELE PRÓPRIO. MOISÉS VOLTA DO MONTE, DE
ONDE TRAZ AS DUAS TÁBUAS DA LEI, E ORDENA AO POVO, DA PARTE DE
DEUS, QUE CONSTRUA UM TABERNÁCULO.
112. Êxodo 19. O Sinai, que supera em altura todos os montes das
províncias vizinhas, está tão cheio de escarpas por todos os lados que não
somente é muito dificultoso lá subir como também não se poderia contemplá-lo
sem temor, pois é crença comum que Deus lá habita, e esse lugar mostra-se
assustador e inacessível. Depois que Moisés lá estava, os hebreus cumpriram a
ordem de avançar o acampamento até o pé desse monte, e estavam todos cheios
de esperança nos favores que ele prometera obter de Deus.
No aguardo de sua volta, cumpriram a ordem que Moisés lhes dera, para
dele se tornarem dignos. Viviam em grande continência: separaram-se durante
três dias de suas mulheres, e as mulheres, por sua vez, com seus filhos,
vestiram-se melhor que de ordinário e passaram dois dias em festas e
banquetes. Mas eram banquetes acompanhados de orações contínuas, que eles
faziam a Deus, a fim de que Ele recebesse bem a Moisés e enviasse, por
intermédio dele, as graças que ele os havia feito esperar.
Na manhã do terceiro dia, antes do nascer do sol, viu-se o que até então
não se havia presenciado no mundo. O céu estava tão claro e sereno que não
existia a menor nuvem. Mas uma nuvem surgiu quase de repente e cobriu todo
o acampamento dos israelitas. Um vento impetuoso, acompanhado de grande
chuva, levantou um violento furacão. Os relâmpagos seguiam-se, um tão perto
do outro que deslumbravam não somente os olhos, mas lançavam terror aos
espíritos. O raio que caía com um ruído estranho indicava a presença de Deus.
Deixo aos que lerem isto julgar como quiserem, mas fui obrigado a referir o que
encontrei escrito nos Livros Santos. Uma tempestade tão extraordinária e um
ruído tão espantoso unidos à crença de que Deus habitava aquele monte
deixaram atônitos os hebreus, que não ousavam sair de suas tendas. Julgaram
que Deus, em sua cólera, havia feito Moisés morrer e os tratava agora do
mesmo modo. Estavam eles assim aterrorizados quando viram Moisés aparecer,
cheio de majestade e resplandecente de glória, e a presença dele afastou a
tristeza e fê-los conceber melhores esperanças; E não se dissiparam somente as
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nuvens de seus espíritos, mas também as que antes obscureciam o ar, que
retomou a sua primeira serenidade.
O grande profeta, após reunir todo o povo para informá-lo dos
mandamentos que recebera de Deus, escolheu um lugar elevado, de onde cada
qual pudesse ouvi-lo, e anunciou-lhes: "Deus não se contentou em apenas
receber-me de modo digno de sua infinita bondade, mas quis honrar o vosso
acampamento com a sua presença e vos prescrever, por meu intermédio, a
maneira de viver mais feliz que se possa imaginar. Conjuro-vos, pois, por Ele
mesmo e pelas obras admiráveis que realizou em vosso favor, a escutar com o
respeito que lhe deveis o que Ele me ordenou dizer-vos, sem considerardes a
baixeza de quem Ele quis se servir para esse fim. Não considereis que é um
homem que vos fala, mas pensai nas vantagens que recebereis com a
observância dos mandamentos que vos trago da parte de Deus e tomareis a ver
a majestade daquEle que se dignou servir-se de mim para vos conceder tanta
felicidade. Pois não é Moisés, filho de Anrão e de joquebede, quem vos
ministrará esses admiráveis preceitos, e sim o Deus Todo-poderoso que, para
vos livrar do cativeiro, mudou em sangue as águas do Nilo, abatendo o orgulho
dos egípcios e ferindo-os com diversas pragas; que vos abriu caminho através
do mar; que saciou a vossa fome com alimento descido do céu e matou a vossa
sede com água que fez sair de um rochedo. Foi Ele que concedeu a Adão a
posse de tudo o que a terra e o mar são capazes de produzir; que salvou Noé
das águas do dilúvio; que quando Abraão, o autor de nossa raça, andava
errante e vagabundo deu-lhe a terra de Canaã; que fez nascer Isaque de um pai
e de uma mãe que não estavam mais na idade de ter filhos; que deu a Jacó
doze filhos perfeitos em todas as virtudes; que pôs nas mãos de José o governo
de todo o Egito; que, enfim, fez hoje o favor de dar-vos, por meu intermédio, os
seus mandamentos. Se os observardes religiosamente e os preferirdes ao amor
que tendes por vossas esposas e filhos, nada faltará para a vossa felicidade: a
terra será sempre fértil para vós, e o mar, sempre tranqüilo. Sereis ricos em
filhos e temíveis aos vossos inimigos. Falo-vos com verdade, pois tive a
felicidade de ver a Deus. Ouvi a sua voz imortal, e vós não podeis mais duvidar
de que Ele vos ame ou que deseje cuidar de vossa posteridade".
113. Depois dessas palavras, Moisés fez avançar todo o povo, com suas
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mulheres e filhos, para que eles mesmos ouvissem a voz de Deus e recebessem
diretamente de sua boca os mandamentos, para não diminuir a estes a
autoridade, como recebidos apenas pelo ministério de um homem. Assim,
ouviram todos uma voz do céu, que lhes falava muito distintamente, e
escutaram os preceitos que Moisés lhes deu depois, os quais estavam escritos
nas duas Tábuas da Lei.
Êxodo 20. Não me é permitido referir as mesmas palavras, mas vou
transcrever-vos apenas o sentido:
I. Há um só Deus, e somente Ele deve ser adorado.
II. Não se deve adorar a imagem de animal algum.
III. Não se deve jurar em vão o nome de Deus.
IV. Não se deve profanar por obra alguma a santidade e o descanso do
sétimo dia.
V. Deve-se honrar pai e mãe.
VI. Não se deve cometer assassínio.
VII. Não se deve cometer adultério.
VIII. Não se deve roubar.
IX. Não se deve dar falso testemunho.
X. Não se deve desejar coisa que pertença a outrem.
Êxodo 21. 0 povo, depois de haver recebido esses mandamentos da
própria boca de Deus, como Moisés lhes havia dito, retirou-se alegremente. Nos
dias seguintes, foram várias vezes procurar Moisés em sua tenda, a fim de
rogar-lhe que obtivesse de Deus leis para a sua política e para o governo da
República. Ele o prometeu e o assim fez, algum tempo depois, como relatarei
mais tarde, pois resolvi escrever um livro a esse respeito.
114. Êxodo 24. Algum tempo depois, Moisés voltou ao monte, subiu-o à
vista de todo o povo e lá ficou quarenta dias. Essa demora os pôs em grande
pena, e a dúvida de que algum mal lhe tivesse acontecido era a causa principal
de seu sofrimento. Cada qual falava a seu modo: os que não o estimavam
diziam que animais ferozes o haviam devorado, outros imaginavam que Deus o
havia levado consigo e os mais sensatos hesitavam entre as duas opiniões,
considerando numa a desgraça que pode ocorrer a todos os homens e
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consolando-se à vista da outra, que lhes parecia mais conforme à virtude de
Moisés. Porém, na dúvida de nunca mais poderem contar com tal chefe e tão
poderoso protetor, viram-se em extrema aflição, porque não viam esperança
alguma que lhes mitigasse os temores. Mas não ousaram levantar
acampamento, porque Moisés lhes havia ordenado que esperassem naquele
lugar.
Ele voltou, por fim, depois de quarenta dias, sem ter sido alimentado por
comida humana durante todo esse tempo. A presença dele encheu o povo de
alegria. Moisés falou-lhes do cuidado que Deus continuava a ter para com eles
e informou-os que Ele havia ordenado, no que se refere à maneira como deviam
agir para viver em perfeita felicidade, que construíssem um tabernáculo, ao
qual Ele desceria algumas vezes. Eles deveriam levá-lo consigo, a fim de não
serem mais obrigados a consultar a Deus no monte Sinai, porque quando Ele
estivesse no Tabernáculo receberia ali os votos do povo e ali lhes escutaria as
orações. Moisés ensinou-os, segundo o que o próprio Deus lhe havia
manifestado, como Ele queria que se construísse o Tabernáculo, que era como
um Templo portátil, e exortou-os a não perderem tempo em construí-lo.
Apresentou-lhes em seguida duas tábuas, nas quais Deus havia gravado com
as próprias mãos os Dez Mandamentos de que acima falamos, estando cinco
em cada tábua.
115. êxodo 35. Essas palavras e mais a alegria pela volta de Moisés
causaram-lhes tanto prazer que se puseram imediatamente e com grande ardor
ao trabalho. Para a construção do Tabernáculo, ofereciam todos ouro, prata,
cobre, madeira incorruptível, pêlo de cabra, peles de carneiro brancas, da cor
de jacinto, de púrpura e de escarlate, lãs tingidas com essas mesmas cores e
linho muito fino. Doaram também pedras preciosas, que se encastoam no ouro
e com as quais costuma-se fazer adornos, e grande quantidade de excelentes
perfumes.
Depois que todos assim contribuíram para o empreendimento, dando
tudo o que podiam — e alguns mesmo mais do que podiam —, Moisés, segundo
a determinação que recebera de Deus, escolheu os homens mais capazes para
trabalhar naquela obra — tanto que, tivesse o povo a liberdade de escolher, não
teriam lançado os olhos sobre melhores peritos. Ainda vemos os seus nomes
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nas Sagradas Escrituras, a saber: Bezalel, da tribo de Judá, filho de Uri, filho
de Hur e de Miriã, e Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. O povo
demonstrou tanto ardor por essa obra e ofereceu com tanta alegria o seu
trabalho e os seus bens que Moisés foi obrigado a publicar, por sugestão dos
encarregados de executá-la e a som de trombeta, que nada mais era necessário
oferecer, pois de nada mais se precisava.
Começaram então o trabalho segundo o modelo e o desenho que Deus
entregara a Moisés, no qual estava determinado também o número de vasos
sagrados que se deveriam usar no Tabernáculo para servir aos sacrifícios. Se os
homens demonstraram liberalidade nessa circunstância, as mulheres não
fizeram menos, pois forneceram tudo para as vestes dos sacerdotes e para os
ornamentos necessários à celebração dos louvores a Deus com pompa e
magnificência.
 
Rev. Ms. Manoel Peres Sobrinho
O Senhor é o meu pastor e nada me faltará - Salmo 23:1.

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